Quando fui chuva

Saí correndo pelas escadas, abri a porta e senti os primeiros pingos de chuva molharem minha cabeça. Corri de olhos fechados, sentindo todos os respingos da chuva. Meu coração disparado me lembrava da loucura que eu estava fazendo. Mas não era loucura pra mim. Procurei em todos os lados. Não o …

(Quase) todos os livros do mundo

Às vezes eu apenas desejo ser capaz de ler todos os livros do mundo.
Não, não é exagero da minha parte e sei que ou é 8, ou 80, como minha mãe sempre diz. Mas às vezes paro pra pensar e percebo que dentre milhares de escritores, devem existir no mínimo milhões de obras maravilhosas a serem lidas. …

Territórios (in)explorados

Acho que essa é a primeira vez que sinto que devo abrir o Blogger e escrever o que estou sentindo. Gosto de fazer isso às vezes, mas quase nunca o faço na mesma hora que bate a inspiração. Agora, faço o que todos devem fazer quando sentem esse desejo de transformar pensamentos em palavras…

Ok.

Mochila. Sapatos. Chaves. Carteira. Garrafinha de água. Ok.13:00 Saio do quarto e fecho a porta forçando um pouco a pobre. Depois da última chuva, parece que ela estufou de um jeito que quase não fecha. Me olho no espelho e aproveito para dar uma última checagem. Mochila. Sapatos. Chaves. Carteira. G…

Sorria, estranho. Sorria estranho. - 12 cartas em 12 meses

Olá, estranho.

Minha mãe sempre disse que eu não falasse com estranhos. Nunca. Eu até vejo o lado dela, mas também vejo o meu lado que todas as pessoas são estranhas antes de conhecermos. Não sei sobre você. Não sei se você estuda, trabalha, divaga pelo mundo. Gostaria de saber. Gostaria de saber se…

Cidade grande, baratas, miojo e eu - MÊS 1

Eu queria escrever esse post quando eu acabasse o primeiro período da faculdade falando pra vocês como está sendo sair de casa aos 17 anos, morar em uma cidade grande desconhecida e a pressão da faculdade. Mas enquanto eu pensava no tema pro post de hoje - que não fosse resenha (…

Agradeço imensamente pelas cobranças sobre crase - 12 cartas em 12 meses

"Saudações, D.E
Nem sei se é assim que começamos uma carta, mas minha mãe sempre me disse que não sabemos se é dia ou noite quando a pessoa for ler, por isso é preciso dizer "saudações". Não sei se assisti alguma aula sua sobre isto. Peço logo desculpas pelo meu português. Para mim …

Se liga, Rosie! - 12 cartas em 12 meses

*Esta carta contém spoilers que podem ameaçar a vida de quem não leu ou assistiu Simplesmente Acontece. Se, por um acaso, você já assistiu ao filme, pode ler normal sabendo que o final do livro é totalmente diferente do livro. Essa carta é para Rosie baseada no LIVRO Simplesmente Acontece*
Querida R…

"Sonhe, mas (não) pense que todos os sonhos se realizarão"

Eu tenho mais que uma obrigação em começar o post falando sobre essa música acima. Ela é o título do post e aposto que muitos de vocês nunca nem a ouviram, mas eu sim. Passei minha adolescência inteira ouvindo Vienna de Billy Joel. Aí é que você me pergunta se eu escuto músicas antigas…

"Mesmo quando os sonhos se perdem, é possível encontrar um futuro."


                Já faz algumas semanas que eu entrei no Youtube e vi um vídeo que eu já havia assistido na aba de Recomendados. Não era um vídeo, aliás. Era um documentário sobre a gravidez na adolescência no nosso país. Por que eu assisti? Bem, no começo do ano passado, minha professora de redação passou para a minha turma um projeto livre em que escolheríamos um tema qualquer e falaríamos sobre ele. Escolheram drogas, álcool, lixo e no meu grupo escolhemos a gravidez, mais especificamente na adolescência. Naquele momento eu realmente não imaginava o que eu ia encontrar sobre o assunto e aos 17 anos de idade, eu não fazia ideia de como seria engravidar e o que realmente acontece com quem engravida nessa idade. Logo eu me deparei com o documentário que citei anteriormente que chama-se "Meninas". Comecei a assistir por obrigação (pois precisava de suporte) e curiosidade mesmo.

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O documentário gira em torno de algumas adolescentes e pré-adolescentes que por algum motivo engravidaram. O cenário escolhido para a gravação do documentário foi a favela da Rocinha no Rio de Janeiro. A produção procurou diversas meninas durante a gestação e gravaram até o momento do parto e claro: não deixaram de mostrar o cotidiano real de cada uma. Uma delas conheceu o pai do filho dela em um baile funk e disse que se apaixonou logo por ele e não foi porque "ele é bandido". Já que segundo ela, muitas meninas se interessam por esse tipo de cara só por isso. Ela o convenceu a sair do 'grupo' que ele fazia parte porque não dava pra ele continuar metido em coisas assim quando vai ser pai. Já outra menina confessa que quis o bebê. Ela tem várias irmãs e sempre foi ela quem cuidou delas quando eram pequenas e por isso quis ter o próprio bebê. A própria boneca. Outra adolescente conta a história de seu relacionamento afirmando que se separou do namorado e descobriu que estava grávida logo depois. Enquanto isso ele engravidou outra adolescente que também foi chamada para contribuir com o documentário. Essa afirmava com lágrimas que teve de desistir de seu sonho de entrar para a Marinha já que mulheres que tiveram filhos não podem entrar. O pai dos dois filhos de adolescentes diferentes afirma que ama a primeira menina e que não foi culpa dele ter engravidado outra já que ela que terminou com ele por "fofoca das colega dela".


Na primeira vez em que vi o documentário cada palavra me chocou. Cada ambiente, cada cena e cada relato das meninas e dos parentes. Muitas delas (todas) não tinham corpo nem maturidade para lidar com um bebê. Abandonaram a escola e tiveram de - não sei como - sustentar os filhos. Eu assisti o documentário mais quatro vezes. Eu confesso que sei decorado tudo que acontece nele e até mesmo as falas. E sabe o mais estranho de tudo isso? Eu não vou cansar de ver. Pode apostar que cada vez que esse documentário aparecer nos Recomendados eu vou clicar e assistir ele todo novamente como se fosse a primeira vez. Vou me chocar com cada história e com o final que eu literalmente chorei em todas as vezes que assisti. Claro que não pude deixar de levá-lo para a escola e fiz questão de mostrar algumas partes dos relatos das meninas. Minha turma assistia a cada cena sem piscar os olhos. E com isso eu acabei procurando mais documentários desse estilo e acabei encontrando um filme com a Nanda Costa. Deixo claro aqui que esse é um dos meus filmes favoritos e ainda por cima explora de um modo diferente o assunto do documentário que falei.

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Você vai dançar o balé da vida - 12 cartas em 12 meses

Janeiro: Uma carta para você no passado, de 10 anos atrás


"Você vai dançar o balé da vida....
           Acho justo começar essa carta te dizendo isso. Sei que nesse momento você está mais que ansiosa para completar seus maravilhosos 8 anos de idade. Ei, 8 anos é bastante coisa sim! E aqui entr…

O assédio nos impede de ver o mundo à cores

     
miwa

           Não era pra sair post hoje, não era mesmo. Eu procuro manter as postagens aqui moderadas e sempre postando com um intervalo de um dia, mas hoje eu não consegui não abrir uma postagem nova e começar a escrever. Muita gente pode dizer que esse post é um entre vários e que não são centenas de palavras que vão mudar a atitude de milhares de homens pelo mundo. Mas eu cheguei no meu limite e quando isso acontece a única forma que eu tenho de seguir a minha vida é escrevendo tudo que aconteceu. No caso de hoje, o que vem acontecendo há tanto tempo e não só comigo, posso deixar bem claro.

              Como o título diz, eu quero falar do assédio. Infelizmente muita gente ainda acha que assédio é apenas aquele físico que causa em estupro. Não mesmo. Assédio abre um leque para tantos tipos de abusos contra mulheres que me aprofundar neles não é o meu ponto aqui. Só quero falar nesse post de um tipo de assédio que todas nós mulheres sofremos todos os dias.

Por que escrever esse post hoje?

Eu acabei de chegar da casa da minha avó que mora um pouco longe e o caminho inteiro de volta pra casa eu só pensava em como eu iria abordar esse assunto no blog porque eu preciso. E assim eu começo dementindo as famosas frases machistas.